Mariana, um bebê especial
Após quase um ano de grande expectativa e ansiedade, pude realizar o grande sonho da minha vida: ser mãe. Foi uma felicidade imensa! Muitos planos, sonhos, enfim, tudo o que envolve uma gestação comum. Quando descobrimos que era uma menina, então, nem se fale! Meu marido e eu queríamos tanto uma menina, que, há 13 anos, quando começamos a namorar, já combinamos que seu nome seria Mariana.
Minha gestação foi acompanhada de perto, com todos os exames cabíveis e possíveis. E todos eles deram normais. Até o ultra-som morfológico de primeiro trimestre, que detecta a probabilidade de síndromes, também deu normal. Como tive algumas intercorrências durante a gestação, como redução do líquido amniótico e diabetes gestacional, a Mariana nasceu prematura, de 36 semanas, o que também é normal, principalmente com a tecnologia que temos hoje, em que a prematuridade tem sido superada com sucesso. Até aí, tudo ocorreu normalmente. Porém, de repente, o inesperado aconteceu: depois de dois dias do nascimento da nossa tão esperada princesinha, a obstetra nos pegou de surpresa dizendo que havia uma suspeita de que a Mariana teria Síndrome de Down. A partir daí, tudo o que era rosa em nossas vidas, como a decoração do quarto da Mariana, ficou completamente cinza. Ficamos sem chão! Pensamos logo: “Esses médicos estão malucos! Nenhum exame pré-natal detectou nada! Imagine que isso iria acontecer logo conosco!”. Isso era o que pensávamos e o que todos diziam ao ver a Mariana. Porém, depois de quase um mês de espera, a suspeita foi confirmada: a Mariana é um bebê especial, ela tem a Síndrome de Down.
Quando o resultado do exame saiu, eu estava ao lado dela, no hospital (ela foi internada por conta de um problema respiratório). Apesar de a suspeita ter sido levantada desde o nascimento dela, fui pega de surpresa, já que o resultado só sairia dali a duas semanas. E, como vocês devem imaginar, nós tínhamos muita esperança e fé em Deus de que essa suspeita não fosse confirmada. Mas a palavra de Deus diz que “A vontade de Deus é boa, perfeita e agradável”, e isso nos basta pra saber que a confirmação do diagnóstico, por mais que tenha doído em nós naquele momento, é o melhor de Deus para mim, pro Márcio e pra Mariana.
No momento em que a médica entrou no quarto com o resultado, eu tinha acabado de ler um trecho de um livro em que os discípulos, diante de um homem cego, perguntaram a Jesus: “... Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” (Jo 9:2). E Jesus então respondeu: “... Nem este homem nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele” (Jo 9:3).
Senti um arrepio na espinha quando li aquilo, porque senti que era Deus falando comigo: “A Mariana é especial sim! E ela será uma bênção na vida de vocês. Portanto, não sofram e não se culpem por isso”.
Foi incrível, porque minutos depois, a médica entrou no quarto com o resultado do exame. Eu nem precisei abrir o envelope pra saber o resultado. Deus já havia me falado. Fiquei um pouco abalada, é claro. Primeiro porque eu esperava que o resultado do exame fosse como um resultado de um concurso ou de um vestibular, com dia e hora marcados. Acho que vocês entendem o que eu quero dizer: esperava que eu pudesse sair de casa, com pensamento positivo, orando a Deus, com meu marido ao meu lado e me preparando pra abrir o envelope. Não foi assim. Mas Deus também sabe o porquê de não ter sido assim. Quando você está num leito de UTI, como a Mari ficou por 32 dias (graças a Deus preventivamente, nada grave), você presencia tanta tristeza, desespero... Crianças “normais” indo a óbito por enfermidades como meningite, leucemia... Enfim, sei que pais de filhos “normais” não queriam estar no nosso lugar, mas tenho certeza de que os pais que perderam seus filhos nessas circunstâncias dariam tudo pra estar no nosso lugar, sim, com a nossa princesinha do lado.
Passado o susto, que, graças a Deus, não durou mais que 2 horas, passei a ler e a entender o mundo da Síndrome de Down. E é um mundo encantador! Não é à toa que essas crianças são chamadas especiais. Li depoimentos de jovens que namoram, fazem faculdade, enfim, que levam uma vida normal. E vai ser assim com a Mariana também! Vamos tratá-la como uma criança normal. É claro, estamos conscientes das limitações, dificuldades e do preconceito que ela poderá enfrentar, mas Deus nos dará paciência e sabedoria pra estimulá-la e cuidar dela da melhor forma possível. Mas sabem que sinceramente eu não consigo ver a Síndrome de Down na minha filha. Não que eu queira negar o diagnóstico, ignorar os traços que ela tem ou me iludir de alguma forma. É que pra mim ela é a Mariana, a minha princesa, um bebê lindo como outro qualquer do qual Deus nos deu a incumbência de cuidar e amar. E se Ele permitiu que isso acontecesse conosco talvez seja porque, de certa forma, nós também sejamos especiais. Estou muito feliz! Sinceramente achei que fosse agir de outra forma, mas não. Eu a amo desde a primeira vez que a vi, quando, assim que nasceu, ainda toda sujinha, ela passou a mãozinha pelo meu rosto e parou de chorar. Foi incrível!
Enfim, a Mari é o amor das nossas vidas! E toda vez que estou amamentando e ela fixa seus olhinhos nos meus é o momento mais mágico que já pude vivenciar. Não posso deixar de agradecer a Deus por ter me dado este presente!
Tenho certeza de que teremos ainda muito mais alegrias com a nossa filhinha e de que ela trará muito orgulho pra nós, aliás, já traz! Sinto que ela será um divisor de água em nossas vidas!
Esperamos que talvez, algum dia, ou até mesmo neste momento, nossas palavras sirvam de consolo pra algum pai ou alguma mãe que estejam passando pela mesma experiência que a nossa, e que, em vez de ficarem decepcionados com o diagnóstico, possam, assim como nós, se alegrarem por ter a oportunidade de amar e conviver com uma criança iluminada.
Luciene e Márcio
pais da Mariana
luciene.nonato@gmail.com

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