"Essa história é mais do que especial. É a história de mãe da minha mãe, Sueli, que me presenteou nesses dias que antecedem o Natal com o seu lindo depoimento."
Não me lembro de ter convivido com muitas crianças quando era jovem. Os bebês, então, representavam para mim um grande mistério. Mas numa tarde em 1975 eu abri a porta de casa com um bebê no colo, e meu primeiro pensamento foi o de procurar por um manual de instruções ou coisa parecida. Não tinha idéia organizada a respeito de como começar a exercer meu papel de mãe. Dias e meses se passaram, e fui me descobrindo capaz de manter uma criança em bom estado de conservação. Outros bebês foram chegando, cada um ocupando um lugar único na nossa família. Suas risadas e novidades frequentemente eram permeadas por minhas inseguranças, sempre me questionando e avaliando se era realmente capaz de ensinar e formar meus filhos. Alguns dias pensei em ser uma árvore sólida com raízes firmes e abrigá-los na minha sombra. Noutros, gostaria de ser um pássaro e sair voando com eles em minhas asas, beirando as nuvens. Por muitas vezes quis ser artista de circo para poder driblar perguntas difíceis e pedidos impossíveis. E confesso que também tentei várias vezes me transformar numa varinha mágica e com um toque, fazê-los virar sapos. Hoje, ao olhá-los já adultos, sinto que tive uma preocupação inadequada a respeito de seu futuro. Nossos filhos já chegam para nós quase prontos, por isso não existe manual a acompanhá-los. Ao invés de alunos, serão nossos professores, para aprendermos que a vida é um longo trajeto, e que eles serão nossos companheiros de viagem. E ao olhar demoradamente nos olhos de seus filhos, cada mãe terá a certeza de que já os conhecia há muito tempo, de longas viagens, e que eles não vieram a nós por acaso. Eles sempre foram nossos.

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